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Entenda a Relação entre o Diabetes Tipo 3 e Sua Memória- Com Dra. Lia Lima


A doença de Alzheimer



A doença de Alzheimer é a causa de demência, manifestada especialmente com esquecimento e que leva a severa redução da qualidade de vida dos seus doentes e dos seus familiares. Existem variadas tentativas de explicar o aumento da incidência dessa doença e como ela acontece, mas muitas delas encontram-se ainda, em fase de estudo.


Entre as causas, acredita-se que há uma forte relação da genética na determinação dos pacientes mais prováveis em desenvolver a doença. A presença aumentada de apoliproteina E tipo 4 está relacionada a maior chance de desenvolver a doença de Alzheimer, e qualquer alteração genética que leve ao aumento dessa substancia, obviamente leva ao aumento da prevalência da doença. Acredita-se que o aumento da poluição também leva a alterações genéticas que contribuem para o aumento da prevalência dessa doença, situação conhecida como epigenética, onde os fatores ambientais podem levar a mudança de expressão genética e progredir com desencadeamento de doenças.


Pouco se conhece do processo celular e molecular dessa doença. Sabe-se que ao exame de ressonância magnética há uma observação clara na redução da massa de tecido cerebral, como se houvesse uma atrofia do tecido do cérebro, da mesma forma que acontece atrofia de tecidos musculares em idosos. A nível das células, se observa o deposito de um emaranhado cicatricial ao redor dos neurônios, cientificamente chamado de compostos neurofibrilares e ainda o deposito de uma substancia chamada de placa amiloide.


As placas amiloides podem se unir em grandes estruturas, como podem ser pequenas, conhecidas por oligômeros. Quanto mais oligômeros há a evidencia de que pior é a perda de memória nos pacientes portadores dessa doença.


Outro achado relevante é a relação da insulina com o processo de memória. O que se observa é que a insulina além de participar de várias outras funções (crescimento muscular, consumo celular da glicose, formação de gorduras), parece participar também da melhora da memória, o que faz todo o sentido, uma vez que diabéticos (que apresentam um distúrbio no metabolismo de glicose e no manejo de insulina) são uma classe de pessoas que apresentam Alzheimer com maior frequência.


O que é interessante é que pessoas com Alzheimer tem maior chance de desenvolver diabetes e pessoas com diabetes tem maior chance de evoluir com Alzheimer. Assim, ainda não se sabe se a insulina é o grande vilão no desbalanço cerebral, mas que certamente ela está envolvida nesse processo.


Interessantemente é um estudo que ocorre atualmente em animais, observou que ao aplicar placas amiloides no cérebro de ratos eles rapidamente apresentaram resistência insulínica nos músculos. Ou seja, ainda não sabemos como, mas que a insulina está intricada com a doença de Alzheimer é fato!


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Diante dessa evidencia, muitos estudos têm-se direcionado para relacionar a diabetes com o Alzheimer e entender como se dá esse processo. A primeira cientista a comentar sobre essa associação chama-se Dra. Del Monte e, em meados de 2005, sugeriu que o Alzheimer poderia ser classificado como Diabetes tipo 3. Essa relação seria por que os pacientes com perda de memoria e com Alzheimer apresentaram dificuldade de captação de glicose nos seus neurônios e consequentemente, redução de oferta de energia. Como a insulina é o hormônio que permite a entrada de glicose para as células, uma possível resistência a insulina deve ocorrer para que a entrada de glicose seja reduzida, nesses casos.


Após essa evidencia, muitos estudos se mostram favoráveis a essa teoria, de forma que o nome Diabetes tipo 3 logo mais estará na classificação de uma nova forma de diabetes, uma vez que se apresenta diferente das outras já classificadas (tipo 1 e 2).



Diabetes tipo 3 é uma Diabetes diferente



Existem inúmeras classificações de diabetes, mas a popularmente conhecida é a do tipo 1 e do tipo 2.


Dessa história, de forma bem simplificada existe a insulina, a glicose e o pâncreas. O pâncreas é quem produz a insulina. A insulina é quem permite a entrada de glicose nas células e a glicose é a principal fonte de energia para as células.


A diabetes tipo 1 ocorre quando o pâncreas está doente e exausto e não produz insulina.

Assim o indivíduo sofre de insulina baixa. No diabetes tipo 2, o pâncreas ainda funciona, a doença inicial ocorre nas células do corpo, apresentando um impedimento da ação da insulina em suas células (chamado de resistência), dessa forma, mais insulina é produzida pelo pâncreas para que a glicose possa entrar nas células do corpo. Assim, o diabetes tipo 2, o indivíduo inicia-se com aumento de insulina. No diabetes tipo 3, o problema estaria apenas nos neurônios, apresentando uma resistência semelhante a do tipo2, porem, exclusiva dos neurônios e com participação de neurotoxinas que não acomete no diabetes tipo2.


Nesse caso, quem vem antes: o ovo ou a galinha?



Ainda não se sabe é se o Alzheimer que determina o Diabetes tipo 3 ou se é o Diabetes tipo 3 que determina o Alzheimer. A maioria dos estudos defende que seja o Alzheimer vem antes, causaria as modificações nos neurônios (um deles pelo aumento dos oligômeros) que levam ao desenvolvimento de resistência insulínica. O neurônio se modifica impedindo a insulina funcionar, assim, a entrada de glicose (normalmente feito pela insulina) não ocorre, prejudicando a oferta de energia para o neurônio.


No entanto, o contrário também poderia ocorrer, por exemplo, o indivíduo sofre da doença diabetes tipo 3, que leva a resistência insulínica. Uma vez não tendo insulina adequadamente funcionante aos neurônios e lembrando que a insulina está relacionada com a formação e melhora de memória, poderia muito bem levar ao desencadeamento de Alzheimer.

Qual a importância e a relevância dessa postagem?

Gente, quem tem um familiar com Alzheimer sabe o sofrimento que ela pode levar ao paciente e aos seus familiares. Muito ainda dessa doença precisa ser descoberta para que possamos tomar medidas de prevenção da mesma.


Mais uma vez o assunto alimentação e estilo de vida entra nas minhas postagens. A epigenética, ao qual citei no começo dessa postagem, relaciona diretamente o meio ambiente com doenças, de forma que, a primeira maneira de prevenir Alzheimer é através de bons hábitos de vida. Aí, uma alimentação com baixa ingesta de carboidratos também é outra atitude inteligente, uma vez que quanto mais glicose se ingere, mais insulina é eliminada para completar o ciclo dessa substancia. Quanto mais insulina encontrada nos neurônios “doentes”, aqueles que são mais predispostos ao suposto diabetes tipo3, mais se estimula o desenvolvimento da resistência naquele local.


Por hoje é isso!


Muito Obrigada, Mil Beijos e Fiquem em Paz


Dra. Lia Lima


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Referencias:


MARTINS, Ian James. Diet and Nutrition reverse Type 3 Diabetes and Accelerated Aging linked to Global chronic diseases. 2016.

LESZEK, Jerzy et al. Type 3 Diabetes Mellitus: A Novel Implication of Alzheimers Disease. Current topics in medicinal chemistry, v. 17, n. 12, p. 1331-1335, 2017.

KANDIMALLA, Ramesh; THIRUMALA, Vani; REDDY, P. Hemachandra. Is Alzheimer's disease a type 3 diabetes? A critical appraisal. Biochimica et Biophysica Acta (BBA)-Molecular Basis of Disease, v. 1863, n. 5, p. 1078-1089, 2017.

CALVO-OCHOA, Erika; HERAS-SANDOVAL, David; ARIAS, Clorinda. Diabetes tipo 3: resistencia a insulina y enfermedad de Alzheimer. ARCHIVOS DE NEUROCIENCIAS, p. 83, 2016.

STEEN, Eric et al. Impaired insulin and insulin-like growth factor expression and signaling mechanisms in Alzheimer's disease–is this type 3 diabetes?. Journal of Alzheimer's Disease, v. 7, n. 1, p. 63-80, 2005.


PRADO, LUCAS KÜHN PEREIRA. Exercício físico em idosos: efeito nos biomarcadores periféricos de neuroproteção. 2012. Tese de Doutorado. Dissertação], Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 57p.


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